Indo para a aula de música, à tarde, sou surpreendida por uma tempestade de verão. Eu, que não costumo ter medo de me molhar, segui em frente, até que se tornou impossível enxergar qualquer coisa à minha frente, tal era a intensidade da cortina de água que cobria tudo. Parei em um ponto de ônibus, já atrasada para a aula, toda molhada, com frio, travando internamente uma batalha contra o mau humor, que já começava a me dominar nesse momento. A chuva não dava o menor sinal de diminuir; o tempo passava e minha irritação aumentava. De repente chega uma senhora mais velha, muito gorda, vestindo uma saia de pano vagabundo, protegida por um guarda-chuva não menos vagabundo, e puxando pela mão um garotinho de uns cinco anos, de chinelos nos pés, todo molhado. Ela senta no banco, tira a blusa de frio do menino para secar-lhe os cabelos. Depois de um tempo observando, intrigado, a rua e as pessoas que corriam apressadas como se ainda pudessem se salvar da chuva, ele me olhou, e com um sorriso simples e sincero, perguntou: "você está com frio?". Eu disse que sim, um pouquinho, e perguntei se ele estava. "Sim, um pouquinho", me respondeu, ainda sorrindo de uma forma que creio só as crianças serem capazes. Pouco depois, a chuva diminuiu, e eu segui meu caminho, deixando para trás o menino, a senhora, o ponto de ônibus, o sorriso que fez o tempo parar e meu coração se abrir.
Há pouco menos de três anos, quando eu entrei para a faculdade e comecei a trabalhar, e o mundo de repente se revelou em toda sua podridão e sujeira, eu comecei a acreditar que nunca mais conseguiria ver beleza na vida. E durante muito tempo ainda, me deixei consumir pela amargura, por uma tristeza que tem explicação, mas que não tem saída, porque não admite saída, não quer ver saída. Uma tristeza que se alimenta de si mesma, e corrói tudo por onde passa. Estou mais velha agora, e quando deveria estar mais e mais mastigada pela engrenagens do mundo, sinto-me cada vez mais distante da adulta que eu pensava que deveria ser e que acabaria me tornando depois de algum tempo. Um sorriso, uma pergunta, e o tempo se curvou aos pés daquela criança, a simplicidade com que ela se deixava ser tocada por tudo me comoveu como música, como poesia.
Há muito mais beleza escondida por aí do que se pode pensar. Mas é preciso olhar pra ela.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
domingo, fevereiro 17, 2008
Preciso aprender a dançar. Devo conseguir me olhar no espelho sem receber contra minha face os cacos da minha auto-imagem destroçada. Quando criança, eu sonhava que um dia eu seria uma mulher bonita - eu achava que bastava crescer, que o tempo cuidaria de me transformar na mulher que eu sonhava ser. Já faz tanto tempo que nem me lembro mais quem era essa mulher, e tampouco me importa: ela já foi muitas, menos eu. Às vezes sinto que esse corpo está errado, que não deveria estar assim, que deveria ser outro. Passei os anos esperando o momento em que eu seria, enfim, outra pessoa, aquela dos meus planos - então eu estaria pronta para começar a viver.
Sempre projetei minha felicidade em tudo que era diferente de mim. "Se eu fosse oito quilos mais magra", ou "se meu cabelo fosse daquela cor", ou então "se minhas roupas fossem outras", minhas pernas, minha vida. Então eu emagreci os oito quilos, eu pintei o cabelo, mudei as roupas, e nada: eu continuava sempre eu. Cresci, aprendi, mudei de idéias, de casa, de escola, de amigos, mas eu, eu estava sempre ali, como uma cicatriz feia em minha vida. Por isso, é preciso dançar. É preciso fazer qualquer coisa que me arrebente contra mim mesma, contra esse muro frio e calado que eu construí para me afastar da imagem maldita no espelho, para esquecer que essa imagem sou eu.
Eu me perdi nessas fantasias e não consigo dizer o que é real à minha volta. Parece que eu deveria estar sempre em outro lugar, parece que estou sempre a um passo da minha vida: às vezes, um passo atrás, em outros momentos, um passo a frente. Me sinto irremediavelmente só, e a solidão ainda é amarga e pesada.
"Toca-me. Toca-me", soluça incessantemente a menina rejeitada que eu guardo em meu peito, sempre a implorar em silêncio pelo toque lascivo, pelo olhar desejoso, disposta a se contentar com qualquer migalha de amor.
Meu coração, bobo da corte de um deus sozinho, continua a fazer suas trapalhadas para divertir minha velhice a olhar pra trás. Enquanto isso, eu me afogo nos mesmos pântanos obscuros de sempre. Os medos, os mesmos velhos medos.
"Menina dos olhos verdes,
porque me não vedes?"
Sempre projetei minha felicidade em tudo que era diferente de mim. "Se eu fosse oito quilos mais magra", ou "se meu cabelo fosse daquela cor", ou então "se minhas roupas fossem outras", minhas pernas, minha vida. Então eu emagreci os oito quilos, eu pintei o cabelo, mudei as roupas, e nada: eu continuava sempre eu. Cresci, aprendi, mudei de idéias, de casa, de escola, de amigos, mas eu, eu estava sempre ali, como uma cicatriz feia em minha vida. Por isso, é preciso dançar. É preciso fazer qualquer coisa que me arrebente contra mim mesma, contra esse muro frio e calado que eu construí para me afastar da imagem maldita no espelho, para esquecer que essa imagem sou eu.
Eu me perdi nessas fantasias e não consigo dizer o que é real à minha volta. Parece que eu deveria estar sempre em outro lugar, parece que estou sempre a um passo da minha vida: às vezes, um passo atrás, em outros momentos, um passo a frente. Me sinto irremediavelmente só, e a solidão ainda é amarga e pesada.
"Toca-me. Toca-me", soluça incessantemente a menina rejeitada que eu guardo em meu peito, sempre a implorar em silêncio pelo toque lascivo, pelo olhar desejoso, disposta a se contentar com qualquer migalha de amor.
Meu coração, bobo da corte de um deus sozinho, continua a fazer suas trapalhadas para divertir minha velhice a olhar pra trás. Enquanto isso, eu me afogo nos mesmos pântanos obscuros de sempre. Os medos, os mesmos velhos medos.
"Menina dos olhos verdes,
porque me não vedes?"
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Trechos adaptados de um desabafo inesperado e quase involuntário que vomitei pelo Orkut às quinze pras duas da manhã de uma terça-feira quente como o inferno:
"A minha empolgação com algumas coisas com as quais pude tomar contato no carnaval é porque essas coisas me ofereceram chaves para abrir algumas portas na minha vida. Pra começar, o queer, mas não só isso. O queer é apenas um nome que está me levando a diversos estudos, artigos, e a uma análise da minha própria vida e das minha relações.
Há uns seis meses ou mais, tive uma crise na Mary in Hell. Já não me lembro de muitos detalhes. Foi uma noite em que todo mundo beijou todo mundo, eu perdi meu piercing do septo, tive uma crise de ciúmes, e tive também um "clarão de entendimento", com o perdão pela poetagem. Comecei a chorar ali mesmo. Todo mundo achou que foi por causa do piercing perdido, mas não foi. Nesse dia, eu cheguei em casa e apaguei a agenda do meu celular. E entrei em crise mesmo, por um tempão. Me incomodou profundamente o quão superficiais eram minhas relações com o mundo. E foi um período intenso, eu tentava conversar sobre isso com todo mundo - sou meio obsessiva quando tenho esses insights.
Mas o fogo da crise acabou se dissipando e eu não tinha encontrado ainda as respostas que procurava pra minha ansiedade. E creio que pelo menos um caminho eu encontrei lá no carnaval. Nada demais - apenas um início, um começo. Eu não sei se é possível ser verdadeiro consigo mesmo o tempo todo, até porque, como eu não sou podre de rica e não posso dizer um grande FODA-SE para o mundo todo, eu preciso me submeter a certas normas como todo mundo. Mas eu percebi que não estava sendo verdadeira em nada, em nenhum momento da minha vida. A coisa da Mary foi meio que uma gota d'água emocional - eu não queria aquilo! Esse prazer de plástico não me satisfaz! Eu não quero passar a semana inteira me comportando como uma ovelhinha em casa, no trabalho, o tempo todo me anulando para responder às expectativas dos outros, e no fim de semana me contentar com um prazer falso! Não quero criar ilhas, pequenos oásis de alegria enquanto meu cotidiano é um mar de tédio, monotonia, normas normas normas. E o pior é que além de fazer dos fins de semana e feriados essas ilhas, o prazer que eu buscava era falso, não me tocava, não me satisfazia.
Quando eu me vi lá, na boate, "liberando geral", pegando todo mundo, me senti uma pateta! Isso mesmo, Stephanie! Trabalhe como um escravo durante a semana, durante o dia, e no sábado você se enfia numa boate escura onde, por apenas 10 reais de entrada e algum dinheiro em alcool, você pode se liberar! E melhor: ainda ter a ilusão de que você está quebrando algumas regras da sociedade hipócrita em que você vive e vivendo sua vida! Yeah! Mentira! Como assim??? Então meu prazer tem preço, dia, hora e lugar marcados??? Minha diversão é um produto pelo qual eu pago e que eu consumo como consumo uma coca-cola? A primeira hipócrita de todos sou eu.
Essa idéia caiu em mim como uma bomba. Eu me senti uma imbecil. E não só por isso, mas também pela coisa de ficar com todo mundo. Claro que não foi nenhum tipo de ressaca moral, e antes fosse, antes eu realmente tivesse sentido que ultrapassei algum limite moral enfiado na minha cabeça. Nem isso! Aquilo ali não foi nada, nem divertido foi. Porque aquilo ali pra mim era tão banal e tão exterior a mim mesma, e tão superficial como qualquer ação do meu cotidiano chato, como, sei lá, pegar um ônibus. Não me toca, não me move, não deixa nada em mim, não toma nada de mim - coisa que se não tivesse acontecido não teria feito a menor diferença. Já pensou em como é terrivelmente triste isso? Que nossas experiências, e pior ainda, as experiências que chamamos de "lazer", sejam tão banais que acontecendo ou não não fazem a MENOR diferença em nossas vidas? Vou tentar ser mais clara: imagine-se com 90 anos, e ao relembrar sua existência você percebe que você não fez a menor diferença - que se nunca tivesse existido não faria falta a nada, a ninguém, e nem a si mesmo, o que é pior. Sentir que a própria vida foi toda um desperdício de energia, foi à toa, sem propósito algum.
Percebi o quão superficiais são minhas relações. Como eu me envolvo pouco com tudo, com meus desejos, com meu prazer, com minha felicidade, e com as pessoas, quando se trata de experiências sexuais. Embora eu pareça fechada a quem não me conhece, quando eu conheço alguém de quem gosto eu normalmente me apaixono imediatamente, e me entrego a essa pessoa. Deixo meu coração disponível, todas as portas da minha vida abertas. Fazer isso é perigoso, envolve o risco de um tombo enorme, mas penso que se não for assim, pra que se relacionar com as pessoas? Se não for assim, melhor viver numa ilha deserta, sozinho durante a vida toda. Mas embora eu me entregue emocionalmente às pessoas com facilidade, quando se trata de relacionamentos que, ainda que por uma noite apenas, ainda que por um momento, envolvem contato sexual (e por sexual, me refiro a QUALQUER tipo de contato sexual - "ficar', por exemplo), eu sou toda só superfície. Eu posso até fazer de TUDO, poderia trepar ali no meio da pista de dança, liberar geral MESMO mas faria sem um pingo de paixão, sem um pingo de tesão, de envolvimento sincero.
A constatação disso me arrasou. Me desgostou perceber também como é assim para grande parte das pessoas. Nós cumprimos rituais de lazer. Apenas rituais - exteriores a nós mesmos e aos nossos desejos. Beber, ir pra uma boate, dançar, eventualmente beijar alguém, amigos, amigas (claro - além de freqüentarmos um grupo de amigos "liberais", também temos sempre a nosso favor o fato de estarmos na Savassi, num espaço onde somos pagantes e consumidores e onde, sob a névoa das modinhas moderninhas, tudo é liberado, desde que, é claro, não penetre a nossa pele e atinja de verdade nossos corações - desde que ninguém ultrapasse a linha dos prazeres plásticos permitidos aos fins de semana). Isso tudo me enfureceu, mas eu não sabia o que fazer.
A minha empolgação com algumas coisas e pessoas que conheci nesse carnaval se deve ao fato de ter percebido que existe gente que tenta reverter o quadro, "mudar a vida", citando Rimbaud. E, através do estudo dessas idéias, da vida dessas pessoas, das ações delas, eu espero me armar com ferramentas para mudar o meu cotidiano. Para que, ainda que eu tenha que me sujeitar a um trabalho nojento como a maioria das pessoas, ainda que eu também seja escrava do dinheiro, e ainda que eu não consiga fugir completamente do consumismo, que pelo menos eu seja de capaz de tornar válidos os momentos da minha vida que restarem."
"A minha empolgação com algumas coisas com as quais pude tomar contato no carnaval é porque essas coisas me ofereceram chaves para abrir algumas portas na minha vida. Pra começar, o queer, mas não só isso. O queer é apenas um nome que está me levando a diversos estudos, artigos, e a uma análise da minha própria vida e das minha relações.
Há uns seis meses ou mais, tive uma crise na Mary in Hell. Já não me lembro de muitos detalhes. Foi uma noite em que todo mundo beijou todo mundo, eu perdi meu piercing do septo, tive uma crise de ciúmes, e tive também um "clarão de entendimento", com o perdão pela poetagem. Comecei a chorar ali mesmo. Todo mundo achou que foi por causa do piercing perdido, mas não foi. Nesse dia, eu cheguei em casa e apaguei a agenda do meu celular. E entrei em crise mesmo, por um tempão. Me incomodou profundamente o quão superficiais eram minhas relações com o mundo. E foi um período intenso, eu tentava conversar sobre isso com todo mundo - sou meio obsessiva quando tenho esses insights.
Mas o fogo da crise acabou se dissipando e eu não tinha encontrado ainda as respostas que procurava pra minha ansiedade. E creio que pelo menos um caminho eu encontrei lá no carnaval. Nada demais - apenas um início, um começo. Eu não sei se é possível ser verdadeiro consigo mesmo o tempo todo, até porque, como eu não sou podre de rica e não posso dizer um grande FODA-SE para o mundo todo, eu preciso me submeter a certas normas como todo mundo. Mas eu percebi que não estava sendo verdadeira em nada, em nenhum momento da minha vida. A coisa da Mary foi meio que uma gota d'água emocional - eu não queria aquilo! Esse prazer de plástico não me satisfaz! Eu não quero passar a semana inteira me comportando como uma ovelhinha em casa, no trabalho, o tempo todo me anulando para responder às expectativas dos outros, e no fim de semana me contentar com um prazer falso! Não quero criar ilhas, pequenos oásis de alegria enquanto meu cotidiano é um mar de tédio, monotonia, normas normas normas. E o pior é que além de fazer dos fins de semana e feriados essas ilhas, o prazer que eu buscava era falso, não me tocava, não me satisfazia.
Quando eu me vi lá, na boate, "liberando geral", pegando todo mundo, me senti uma pateta! Isso mesmo, Stephanie! Trabalhe como um escravo durante a semana, durante o dia, e no sábado você se enfia numa boate escura onde, por apenas 10 reais de entrada e algum dinheiro em alcool, você pode se liberar! E melhor: ainda ter a ilusão de que você está quebrando algumas regras da sociedade hipócrita em que você vive e vivendo sua vida! Yeah! Mentira! Como assim??? Então meu prazer tem preço, dia, hora e lugar marcados??? Minha diversão é um produto pelo qual eu pago e que eu consumo como consumo uma coca-cola? A primeira hipócrita de todos sou eu.
Essa idéia caiu em mim como uma bomba. Eu me senti uma imbecil. E não só por isso, mas também pela coisa de ficar com todo mundo. Claro que não foi nenhum tipo de ressaca moral, e antes fosse, antes eu realmente tivesse sentido que ultrapassei algum limite moral enfiado na minha cabeça. Nem isso! Aquilo ali não foi nada, nem divertido foi. Porque aquilo ali pra mim era tão banal e tão exterior a mim mesma, e tão superficial como qualquer ação do meu cotidiano chato, como, sei lá, pegar um ônibus. Não me toca, não me move, não deixa nada em mim, não toma nada de mim - coisa que se não tivesse acontecido não teria feito a menor diferença. Já pensou em como é terrivelmente triste isso? Que nossas experiências, e pior ainda, as experiências que chamamos de "lazer", sejam tão banais que acontecendo ou não não fazem a MENOR diferença em nossas vidas? Vou tentar ser mais clara: imagine-se com 90 anos, e ao relembrar sua existência você percebe que você não fez a menor diferença - que se nunca tivesse existido não faria falta a nada, a ninguém, e nem a si mesmo, o que é pior. Sentir que a própria vida foi toda um desperdício de energia, foi à toa, sem propósito algum.
Percebi o quão superficiais são minhas relações. Como eu me envolvo pouco com tudo, com meus desejos, com meu prazer, com minha felicidade, e com as pessoas, quando se trata de experiências sexuais. Embora eu pareça fechada a quem não me conhece, quando eu conheço alguém de quem gosto eu normalmente me apaixono imediatamente, e me entrego a essa pessoa. Deixo meu coração disponível, todas as portas da minha vida abertas. Fazer isso é perigoso, envolve o risco de um tombo enorme, mas penso que se não for assim, pra que se relacionar com as pessoas? Se não for assim, melhor viver numa ilha deserta, sozinho durante a vida toda. Mas embora eu me entregue emocionalmente às pessoas com facilidade, quando se trata de relacionamentos que, ainda que por uma noite apenas, ainda que por um momento, envolvem contato sexual (e por sexual, me refiro a QUALQUER tipo de contato sexual - "ficar', por exemplo), eu sou toda só superfície. Eu posso até fazer de TUDO, poderia trepar ali no meio da pista de dança, liberar geral MESMO mas faria sem um pingo de paixão, sem um pingo de tesão, de envolvimento sincero.
A constatação disso me arrasou. Me desgostou perceber também como é assim para grande parte das pessoas. Nós cumprimos rituais de lazer. Apenas rituais - exteriores a nós mesmos e aos nossos desejos. Beber, ir pra uma boate, dançar, eventualmente beijar alguém, amigos, amigas (claro - além de freqüentarmos um grupo de amigos "liberais", também temos sempre a nosso favor o fato de estarmos na Savassi, num espaço onde somos pagantes e consumidores e onde, sob a névoa das modinhas moderninhas, tudo é liberado, desde que, é claro, não penetre a nossa pele e atinja de verdade nossos corações - desde que ninguém ultrapasse a linha dos prazeres plásticos permitidos aos fins de semana). Isso tudo me enfureceu, mas eu não sabia o que fazer.
A minha empolgação com algumas coisas e pessoas que conheci nesse carnaval se deve ao fato de ter percebido que existe gente que tenta reverter o quadro, "mudar a vida", citando Rimbaud. E, através do estudo dessas idéias, da vida dessas pessoas, das ações delas, eu espero me armar com ferramentas para mudar o meu cotidiano. Para que, ainda que eu tenha que me sujeitar a um trabalho nojento como a maioria das pessoas, ainda que eu também seja escrava do dinheiro, e ainda que eu não consiga fugir completamente do consumismo, que pelo menos eu seja de capaz de tornar válidos os momentos da minha vida que restarem."
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