terça-feira, junho 14, 2005

Em que curva da vida eu deixei as minhas asas?
Eu sei que deveria estar voando agora
Mas a tarde está tão quente
e o brilho intenso do sol me faz apertar os olhos.

Hoje eu não quero voar
Quero caminhar lentamente por essas ruas serenas
Quero olhar para o céu com os pés no chão
E me apaixonar pelas flores que encontrar no caminho

Hoje eu quero ouvir o canto das cigarras
Quero entender o trabalho duro das formigas
Hoje eu quero a firmeza da terra
a solidez das pedras
o coração dos bichos
pés e mãos – e as arvores seculares

Hoje eu quero a floresta úmida
e os casebres escondidos dentro dela
onde moram não bruxas – não
mas o índio e o seringueiro
e o macaco e a arara de penas vermelhas
Hoje eu não quero o guerreiro e a virgem
mas o pai e a mãe e o filho.

Hoje eu não quero as magias do pajé
não quero santos nem magos
e nem os espíritos da natureza.
Hoje eu quero as borboletas no lugar das fadas
Quero o pássaro o lagarto o peixe
a grama molhada e o rio de águas escuras.

Hoje eu quero apenas a beleza que os olhos podem ver
quero os sons e os cheiros do mundo.
Hoje eu não quero voar.
Hoje eu quero viver
e ser
e só.