O que vais fazer
agora que as violetas na sua janela
morreram
e as flores do teu precioso jardim
murcharam todas?
Uma a uma
debochando da tua dedicação
abandonaram-te
e tudo que tens agora
e o desgosto do cuidado vão
e um jardim de cadáveres e sombras
dentro da tua casa.
E agora
será com estas flores secas
que ir’as enfeitar a fronte de tua esposa?
Se quisesses
Poderias enterrar tuas amantes mortas
E quem sabe assim conhecerias
os encantos alem dos portões
e poderias entender o vôo das libélulas
e a umidade do vento
Mas como preferes a segurança das raízes
podes concertar estas cercas
e plantar as sórdidas sementes que restaram
E então ver’as nascer mais uma vez
quem sabe os mesmos jacintos
as mesmas tulipas
e jasmins
com as quais poderás ornamentar teu sepulcro
e coroar os velhos fantasmas inventados por ti
Podes faze-lo
mas já sabes que não são eternas
as flores de plástico
e que somente a terá se lembrar’a de ti
quando o poema que escreveste para as estrelas
se transformar em silencio
e o teu Éden que construíste com teu sangue
se transformar em pó.
(o teclado esta com problemas nos acentos.)
(o poema nao esta terminado.)
(paciencia.)