Os sonhos continuavam
indefinidamente.
E a loucura já guardava meu sono.
Eu não sabia que os sonhos
não eram os mesmos
e não eram os meus.
Mas por que então eu insistia em querer
em querer o toque luxurioso
daquele que se revelava?
Já não podia pensar
e não saberia dizer se os meus olhos
buscavam o descanso
ou um olhar outro que não existiu.
O medo então era manso
e o corpo esgotado não encontrava forças
para erguer suas máscaras.
Eu só queria esconder
não sentir e quem sabe
esquecer o que seria
se pudesse ser.
Mas não poderia e eu entendo
entendo por mim e entendo
porque no fundo eu sempre soube
eu sempre sei o final dessas histórias.
E eu nunca acreditei no poder do desejo
porque o desejo
esse desejo sempre infantil de amor e de corpo
tem sido diversas vezes vão.
E assim
além dos muros e dos corredores
onde busco incansavelmente a minha própria covardia
eu vejo o mesmo velho rio de águas geladas
e o mesmo fogo inútil que se apaga aos poucos.
Sempre aos poucos.