quinta-feira, junho 16, 2005

Essas mãos brancas e frias
por que tremem?
E onde meus olhos encontram
céu azul e flores
as catacumbas seculares
continuam ali.
A pele seca e o sono
e o coração descompassado
mas afinal o que dizem as letras
e os homens?

Ainda a distância, a ausência
ainda a dúvida e o não-entender
mas o seu corpo que chama
e os livros, ah, os livros
e eu aqui, sem saber.
Meu pensamento fica fugitivo
e procura a todo instante ilusão
abrigo nos seus olhos
mas seus olhos permanecem seus
e há uma voz que se cala repetidas vezes.

O chão frio, as paredes brancas...
e escadas que sobem-descem ao desconhecido
Minhas idéias confusas
com seu sorriso constantemente em mim
Tento inutilmente evocar as doces madrugadas
mas suas mãos fortes saltam no escuro
e me prendem nas terríveis fantasias
essas terríveis fantasias que me consolam.

O tempo que passa e não passa
as horas se arrastam
mas quando percebo já é o momento de ir.
Meus pés cansados desistem de correr
e talvez eu ainda desista de esperar.

Talvez eu ainda desista de esperar