Antes era a urgência. E cada palavra era grito. O silêncio era angústia, lentamente, uma angústia pesada, que tira o ar, que tira o chão. Tudo era chão e tudo era pesado, grave - urgente.
Não creio que tenha se passado tanto tempo assim. Alguns anos, muitos dias - já não sei mais. Não sei dizer também o que mudou. Mudou, mudaram? Eu mudei? Procuro o espelho, olho-me atentamente nos olhos. Mudei? Não sei, não sinto. Ainda sou eu, certo? Olho - reconheço-me tão pouco quanto antes, quanto sempre. O mesmo medo vil e inconsistente, o mesmo olhar pesado, os mesmos medos. Ainda sou eu.
Há quanto tempo troquei o dia pela noite e a noite pelo dia, não me lembro. Mas sei que agora é do silêncio que mais gosto. E é com leveza que consigo me mover bem. Na leveza da boa música, das tarde quentes de uma terça-feira qualquer. E tudo é suavidade, tudo é limpo e sincero. Não há mais pressa, o tempo não me persegue mais. Já não fujo dele, nem de mim, nem de ninguém. Às vezes o silêncio é amargo e duro, mas mesmo então ele é vivo, verdadeiro, eu o sinto. Sinto-o com toda sua força - intensamente destrutiva ou pacificadora. Sei que já faz tanto tempo...
No silêncio estou indo de encontro a mim mesma - sempre estive, na verdade, sempre estamos. Mas agora eu sei. Não tenho pressa, e já não dói tanto o profundo e eterno conhecer de mim mesma. Estou aprendendo aos poucos a me conhecer nos outros, nas coisas, nos bichos, nas estrelas, na terra molhada, nos muros cinzentos, na música, no ruído, na sujeira, nos sorrisos. Já não dói tanto assim me olhar no espelho e ver as cicatrizes de tantas lutas vãs contra o que sou. Mais uma vez, estou indo de encontro a mim mesma e aguardo, de armas na mão, o momento incerto de mais um confronto, do qual sairei, novamente, como quem sai de um ovo, como quem expande o corpo, como quem nasce.
"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo." (Hermann Hesse)
domingo, janeiro 27, 2008
quinta-feira, janeiro 24, 2008
"É melhor morrer de vodka do que de tédio"
Então...
digamos que, após a última bebedeira, eu tenha surtado. Mais uma vez. Já estou me acostumando com isso, na verdade, parece um ciclo: eu bebo demais, faço/falo besteira, passo mal (meu fígado tem se mostrado cada vez mais rebelde e intolerante com meus excessos), solto todos os meus demônios, e no dia seguinte, quando minha consciência desperta de seu coma induzido, e eu tenho todos esses demônios que eu havia libertado para recapturar e aprisionar nos abismos do meu peito, e tantos gritos proferidos para silenciar, e quando a minha severa auto-crítica volta a condenar meus atos, um por um, quando o efeito libertador do alcool se dissolve na poeira cinzenta do cotidiano, eu surto. Surto mesmo. Começo a achar tudo ruim, a pensar que está tudo errado. É mentira que eu tenha chegado a desgostar de beber, mas as censuras todas, todas elas com seus dedos malignos apontados para mim, me fazem crer que eu não deveria mais beber. Então eu corto relações com a vodka. Traço milhões de planos, e faço milhões de de promessas, e tomo decisões. De certa forma, culpar a bebida pelas coisas que eu deixo de fazer é uma forma de argumentar contra ela. No fim, é mais uma tentativa de manter em silêncio tudo que eu quero gritar. E depois de tudo, a monotonia e o sufoco de estar comigo mesma me levam, mais uma vez, a buscar na bebida a vida que eu me nego todos os dias. Não faz sentido, eu sei que não faz sentido.
Mas eu sei que, na verdade, o problema não é a bebida em si. É Thanatos, a pulsão de morte, que me empurra sempre para o abismo dos excessos. Afinal, não é verdade que "o todo se dignifica quando a vida é líquida"? Mas os excessos são traidores. Não te libertam, te aprisionam. Quando percebo, fico refém de um estado alterado de consciência - aí já não sou mais eu, mas todos os meus desejos contidos surgindo com força e falando através de mim. Eu sei que eles fazem parte de mim, mas liberta-los é diferente de se deixar dominar por eles, principalmente porque, quando isso acontece, eu costumo me esquecer mesmo de tudo que eu sou (ou penso que sou - quem sabe?), de tudo que amo, de tudo em que acredito, e até mesmo dos meus prórpios desejos. No fim da noite, eu sou toda um vulcão de frustrações, pronto para cuspir no mundo toda a amargura das próprias covardias. Sim, estou cansada. Meu corpo está cansado - essa estratégia juvenil de fuga está se voltando contra mim mesma, e o estado de liberdade que eu pensava alcançar não passa de uma grande mentira, rindo de mim. Eu, a tola, a covarde, sempre covarde - e a bebida já não me serve como escapatória, mas se torna meu carrasco, ao me empurrar cada vez mais para o confronto comigo mesma, com meus desejos vãos, com minha tristeza escondida, com meus assuntos não resolvidos, com tudo de podre e perdido que eu trago preso no peito.
É necessário, mais do que nunca, suprimir meu feroz superego, e deixar Eros surgir das profundezas profanas da minha (in)consciência sem a ajuda, traidora, da bebida. Fazer da lucidez um estado tão prazeroso quanto a embriaguez, e não somente um período triste do meu dia que eu entrego ao tédio e aos generais da moral e da ordem. Liberar de vez meus demônios, e lidar com eles, e ainda que eu possa sair ferida, estarei mais leve. É, eu acho que é isso.
digamos que, após a última bebedeira, eu tenha surtado. Mais uma vez. Já estou me acostumando com isso, na verdade, parece um ciclo: eu bebo demais, faço/falo besteira, passo mal (meu fígado tem se mostrado cada vez mais rebelde e intolerante com meus excessos), solto todos os meus demônios, e no dia seguinte, quando minha consciência desperta de seu coma induzido, e eu tenho todos esses demônios que eu havia libertado para recapturar e aprisionar nos abismos do meu peito, e tantos gritos proferidos para silenciar, e quando a minha severa auto-crítica volta a condenar meus atos, um por um, quando o efeito libertador do alcool se dissolve na poeira cinzenta do cotidiano, eu surto. Surto mesmo. Começo a achar tudo ruim, a pensar que está tudo errado. É mentira que eu tenha chegado a desgostar de beber, mas as censuras todas, todas elas com seus dedos malignos apontados para mim, me fazem crer que eu não deveria mais beber. Então eu corto relações com a vodka. Traço milhões de planos, e faço milhões de de promessas, e tomo decisões. De certa forma, culpar a bebida pelas coisas que eu deixo de fazer é uma forma de argumentar contra ela. No fim, é mais uma tentativa de manter em silêncio tudo que eu quero gritar. E depois de tudo, a monotonia e o sufoco de estar comigo mesma me levam, mais uma vez, a buscar na bebida a vida que eu me nego todos os dias. Não faz sentido, eu sei que não faz sentido.
Mas eu sei que, na verdade, o problema não é a bebida em si. É Thanatos, a pulsão de morte, que me empurra sempre para o abismo dos excessos. Afinal, não é verdade que "o todo se dignifica quando a vida é líquida"? Mas os excessos são traidores. Não te libertam, te aprisionam. Quando percebo, fico refém de um estado alterado de consciência - aí já não sou mais eu, mas todos os meus desejos contidos surgindo com força e falando através de mim. Eu sei que eles fazem parte de mim, mas liberta-los é diferente de se deixar dominar por eles, principalmente porque, quando isso acontece, eu costumo me esquecer mesmo de tudo que eu sou (ou penso que sou - quem sabe?), de tudo que amo, de tudo em que acredito, e até mesmo dos meus prórpios desejos. No fim da noite, eu sou toda um vulcão de frustrações, pronto para cuspir no mundo toda a amargura das próprias covardias. Sim, estou cansada. Meu corpo está cansado - essa estratégia juvenil de fuga está se voltando contra mim mesma, e o estado de liberdade que eu pensava alcançar não passa de uma grande mentira, rindo de mim. Eu, a tola, a covarde, sempre covarde - e a bebida já não me serve como escapatória, mas se torna meu carrasco, ao me empurrar cada vez mais para o confronto comigo mesma, com meus desejos vãos, com minha tristeza escondida, com meus assuntos não resolvidos, com tudo de podre e perdido que eu trago preso no peito.
É necessário, mais do que nunca, suprimir meu feroz superego, e deixar Eros surgir das profundezas profanas da minha (in)consciência sem a ajuda, traidora, da bebida. Fazer da lucidez um estado tão prazeroso quanto a embriaguez, e não somente um período triste do meu dia que eu entrego ao tédio e aos generais da moral e da ordem. Liberar de vez meus demônios, e lidar com eles, e ainda que eu possa sair ferida, estarei mais leve. É, eu acho que é isso.
"Definir isso deve ser difícil, afinal 'definir é limitar'. Não há limitações. Ocasionalmente, pode ser uma coisa espontânea, ceder a um impulso irresistível. Furores uterinos. Desconfio, de vez em quando, que é também um moralícídio (com atenuantes que não vou me dar ao trabalho de citar). Luxúria, gula, vodka. Ambigüidades. O desafogo de confessar e viver experiências e paixões que já não são suportáveis quando incubadas. Etanol na corrente sangüínea e estas palavras num redemoinho cerebral. Nem sempre. Nem é necessário. Estamos dispostos. Predispostos. Contatos imediatos do primeiro grau. No carro. Muita conversa, mais vodka, um pouco de embromação, música, filmes, perguntas e nada de respostas. Calor, muito calor! Pipocas mal feitas em microondas. Riso. Orjantas. Cozinha ativa, aparelho digestivo e quarto também ativos. Um violão, travesseiro, cama. Palavras entre cafés e pingas. Olhos verdes, castanhos e pretos. Cabelos lisos, idéias enroladas, cabelos complicados e idéias também. Desabafos e desavenças. Descontrole." (Raquel)
Saudade besta de um tempo que já passou.
Mas eu ainda acredito nessas palavras, e desconfio de uma sabedoria infinita contida nas entrelinhas desse texto. Coisa de vida, mesmo. Aprender aquilo que a gente sempre soube, mas que a gente faz questão de esquecer, ou fingir que esqueceu - afinal, "viver é muito perigoso". É ou não é? Esquecemos, será que eu esqueci? Tanto riso, tanta coisa boa, tantas verdades, muitas verdades. O descontrole é mais sincero? Eu acho. Sempre acho. Claro, nem sempre é só prazer, nunca é mais sensato, e às vezes dói, dói, dói. Mas é sempre sempre sempre mais verdadeiro, mais vivo, mais sincero. E é bom que se saiba também que, no descontrole, você pode acabar soltando demônios que depois não vai mais saber calar. São riscos, grandes riscos. Mas sem eles, será que vale alguma coisa? Viver com verdade. Verdade, antes de tudo, nas coisas que eu deixo entrar em minha vida, e nas coisas que saem de mim. Verdade pra tocar outras pessoas, pra ser tocada por elas - verdade no entendimento de tudo, nos desejos, no sofrimento também.
Saudade de um tempo em que não era preciso pensar nessas coisas. A gente as vivia apenas, no calor da urgência de felicidade.
Saudade besta de um tempo que já passou.
Mas eu ainda acredito nessas palavras, e desconfio de uma sabedoria infinita contida nas entrelinhas desse texto. Coisa de vida, mesmo. Aprender aquilo que a gente sempre soube, mas que a gente faz questão de esquecer, ou fingir que esqueceu - afinal, "viver é muito perigoso". É ou não é? Esquecemos, será que eu esqueci? Tanto riso, tanta coisa boa, tantas verdades, muitas verdades. O descontrole é mais sincero? Eu acho. Sempre acho. Claro, nem sempre é só prazer, nunca é mais sensato, e às vezes dói, dói, dói. Mas é sempre sempre sempre mais verdadeiro, mais vivo, mais sincero. E é bom que se saiba também que, no descontrole, você pode acabar soltando demônios que depois não vai mais saber calar. São riscos, grandes riscos. Mas sem eles, será que vale alguma coisa? Viver com verdade. Verdade, antes de tudo, nas coisas que eu deixo entrar em minha vida, e nas coisas que saem de mim. Verdade pra tocar outras pessoas, pra ser tocada por elas - verdade no entendimento de tudo, nos desejos, no sofrimento também.
Saudade de um tempo em que não era preciso pensar nessas coisas. A gente as vivia apenas, no calor da urgência de felicidade.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Deita sobre meu sono a sua sombra. Meu desejo bêbado e vacilante busca você. Meu desejo sóbrio sôfrego leviano louco - tudo em mim procura você. Meu corpo me consome.
Os livros, as promessas, as mudanças, que por tanto tempo esperaram uma resposta, continuam onde estavam. O sono me seduz com a possibilidade de você. Meu corpo me consome. Não como. Já não sinto vontade de beber, de fumar. Adoeço. Meu desejo é febril, tudo arde, tudo perece em meu desejo. Meu corpo me consome. Estou exausta e faminta.
O amor, em tempos de barbárie, é sempre um conforto, eu sei. O amor é chão, é a certeza do fim da longa viagem, o amor é a certeza do pouso, o consolo das asas cansadas. Duvida? Duvido.
Vacilo. A infâmia do desejo vão é a tortura do corpo. Injúria.
Você me consome.
Os livros, as promessas, as mudanças, que por tanto tempo esperaram uma resposta, continuam onde estavam. O sono me seduz com a possibilidade de você. Meu corpo me consome. Não como. Já não sinto vontade de beber, de fumar. Adoeço. Meu desejo é febril, tudo arde, tudo perece em meu desejo. Meu corpo me consome. Estou exausta e faminta.
O amor, em tempos de barbárie, é sempre um conforto, eu sei. O amor é chão, é a certeza do fim da longa viagem, o amor é a certeza do pouso, o consolo das asas cansadas. Duvida? Duvido.
Vacilo. A infâmia do desejo vão é a tortura do corpo. Injúria.
Você me consome.
"It takes strength to be gentle and kind"
(...)
I know it’s over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
“If you’re so funny
Then why are you on your own tonight?
And if you’re so clever
Then why are you on your own tonight?
If you’re so very entertaining
Then why are you on your own tonight?
If you’re so very good-looking
Why do you sleep alone tonight?
I know …
‘Cause tonight is just like any other night
That’s why you’re on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they’re in each other’s arms…”
It’s so easy to laugh
It’s so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
(...)
I know it’s over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
“If you’re so funny
Then why are you on your own tonight?
And if you’re so clever
Then why are you on your own tonight?
If you’re so very entertaining
Then why are you on your own tonight?
If you’re so very good-looking
Why do you sleep alone tonight?
I know …
‘Cause tonight is just like any other night
That’s why you’re on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they’re in each other’s arms…”
It’s so easy to laugh
It’s so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
(...)
Para a menina minha neblina
Menina...
Lembra daqueles dias cinzas de tanto tempo atrás? Não sei se você havia percebido, mas seus olhos continham toda a cor desse mundo. Você percebeu? Seu jeito criança era o dono da minha vida coração felicidade.
Lembra quando, juntas, nós realizamos um desejo antigo de brincadeira, e fizemos para um boneco um pára-quedas de sacola plástica de mercado? Lembra como ele flutuou por alguns segundos, sustentado no ar pelo ventilador ligado?
Menina... em me lembro. Você não sabe, mas eu me lembro tanto, sempre, do seu sorriso... Eu penso tanto em você... Ainda, sim. Mas já não sofro mais. Penso na beleza que você, sem notar, trouxe para a minha vida, e em tudo que penso que poderíamos ter sido, se não fosse meu coração covarde, se fosse o tempo certo, talvez... Pensar em você já não dói tanto quanto antes, a não ser, é claro, nas madrugadas tristes que às vezes passo comigo mesma - mas você sabe, querida, tanto quanto eu, que estas fraquezas românticas devem ser perdoadas.
Sinto sua falta, sinto falta de amar você, ainda que do nosso jeito tímido, clandestino até; sinto falta de dedicar meus dias a te esperar, e confesso que ainda procuro por seus olhos quando passo por algum lugar onde eu sei que você poderia estar... Você me deu alegria. Você me deu coragem. Você será sempre minha neblina...
Sim, sinto sua falta, e é triste te ver e não sentir mais meu coração querendo saltar pela boca, e não sentir medo, euforia e aquela angústia delicada e ansiosa que ardia em meu peito. Já não sinto mais, e isso é triste, sim. Mas você também sabe, minha pequena, que nós jogamos com nosso sentimento, e eu prefiro acreditar que não teria dado certo mesmo (acho que é um jeito de aceitar com mais leveza a nossa sorte). Não sei. Amar você foi provavelmente o que de mais intenso, desesperadamente intenso, dolorosamente intenso, já senti. Você me deu vida quando eu já não esperava mais nada.
A sombra do que sentimos será para sempre um abrigo dentro de mim, onde me refugio quando preciso de fé.
Lembra daqueles dias cinzas de tanto tempo atrás? Não sei se você havia percebido, mas seus olhos continham toda a cor desse mundo. Você percebeu? Seu jeito criança era o dono da minha vida coração felicidade.
Lembra quando, juntas, nós realizamos um desejo antigo de brincadeira, e fizemos para um boneco um pára-quedas de sacola plástica de mercado? Lembra como ele flutuou por alguns segundos, sustentado no ar pelo ventilador ligado?
Menina... em me lembro. Você não sabe, mas eu me lembro tanto, sempre, do seu sorriso... Eu penso tanto em você... Ainda, sim. Mas já não sofro mais. Penso na beleza que você, sem notar, trouxe para a minha vida, e em tudo que penso que poderíamos ter sido, se não fosse meu coração covarde, se fosse o tempo certo, talvez... Pensar em você já não dói tanto quanto antes, a não ser, é claro, nas madrugadas tristes que às vezes passo comigo mesma - mas você sabe, querida, tanto quanto eu, que estas fraquezas românticas devem ser perdoadas.
Sinto sua falta, sinto falta de amar você, ainda que do nosso jeito tímido, clandestino até; sinto falta de dedicar meus dias a te esperar, e confesso que ainda procuro por seus olhos quando passo por algum lugar onde eu sei que você poderia estar... Você me deu alegria. Você me deu coragem. Você será sempre minha neblina...
Sim, sinto sua falta, e é triste te ver e não sentir mais meu coração querendo saltar pela boca, e não sentir medo, euforia e aquela angústia delicada e ansiosa que ardia em meu peito. Já não sinto mais, e isso é triste, sim. Mas você também sabe, minha pequena, que nós jogamos com nosso sentimento, e eu prefiro acreditar que não teria dado certo mesmo (acho que é um jeito de aceitar com mais leveza a nossa sorte). Não sei. Amar você foi provavelmente o que de mais intenso, desesperadamente intenso, dolorosamente intenso, já senti. Você me deu vida quando eu já não esperava mais nada.
A sombra do que sentimos será para sempre um abrigo dentro de mim, onde me refugio quando preciso de fé.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Andei por tanto tempo em círculos que agora não sei mais onde estou, e menos ainda onde deveria estar. A tarde foi embora também e eu fiquei sozinha com os meus espelhos. Crescer não foi suficiente para que eu me tornasse quem eu queria ser, como também não foi suficiente cair e me perder tantas vezes.
Não importa a habilidade do joalheiro - não é possível fazer diamantes de cristais vagabundos de beira de rio...
O relógio já deu suas voltas, pelas quais tanto esperei, e só serviu para que eu visse que sou mesmo quem sempre me disseram que eu era. Tantando não decepcionar os pretensos roteiristas da minha vida, eu acabei decepcionando a menina que jurou para si mesma jamais se tranformar no que sou agora: igual a todos os outros, vencida, rendida, prisioneira.
Onde estão as asas que eu pensava possuir? Como pode ser tão fácil desistir de si mesmo, de sonhos que me eram antes tão vitais?
O tempo continua arrastando o meu dia, e sei que escrevo para fugir do dedo severo que sinto apontado para mim, condenando a adulta que ainda não sou e devo ser, porque a vida passou e eu fiquei para trás...
Mais uma vez eu grito e ninguém responde. Eu os ouço, sei que estão aqui, mas meus gritos não são ouvidos por eles e aos poucos minha voz enfraquece e morre: eu também já não acredito em ninguém. Estamos mesmo todos sozinhos? Penso que cada um vê somente a si mesmo em tudo. Refletimos em tudo um pouco de nós mesmos, para que, mesmo em um mundo tão hostil e confuso como esse, sejamos capaz de reconhecer alguma coisa do que somos. Ou pensamos que somos. Acho que. Não sei bem.
A noite está mais fria e o céu está mais escuro. A minha melancolia se dissolve nas nuvens - por um instante eu não sei dizer se estou viva, mas então eu me lembro que também preciso pagar a passagem do ônibus. Conto as moedas. O dinheiro é suficiente?
Já não me lembro do que eu era antes. Não sei que força me atirou no abismo de tanta solidão e fraqueza. Fecho os olhos com força. Busco em minha memória alguma coisa que seja eu - em vão. Também estou sozinha. Também não sei quem sou e não sei o que procuro.
Ainda me pergunto até quando serei mais um fantasma vagando entre outros mortos. Sei que chegará o dia em que minhas pernas não mais suportarão o peso das minhas máscaras velhas e sujas, que já não enganam a ninguém além de mim mesma. Espero que este dia não demore a vir - estou cansada de me esconder. O que eu espero? Também não sei. Quantas noites eu ainda poderei dormir tranqüilamente até que o teto caia em minha cabeça?
Sei apenas que ainda estou imóvel, esperando aquela estrela cadente que só eu não vi.
Não importa a habilidade do joalheiro - não é possível fazer diamantes de cristais vagabundos de beira de rio...
O relógio já deu suas voltas, pelas quais tanto esperei, e só serviu para que eu visse que sou mesmo quem sempre me disseram que eu era. Tantando não decepcionar os pretensos roteiristas da minha vida, eu acabei decepcionando a menina que jurou para si mesma jamais se tranformar no que sou agora: igual a todos os outros, vencida, rendida, prisioneira.
Onde estão as asas que eu pensava possuir? Como pode ser tão fácil desistir de si mesmo, de sonhos que me eram antes tão vitais?
O tempo continua arrastando o meu dia, e sei que escrevo para fugir do dedo severo que sinto apontado para mim, condenando a adulta que ainda não sou e devo ser, porque a vida passou e eu fiquei para trás...
Mais uma vez eu grito e ninguém responde. Eu os ouço, sei que estão aqui, mas meus gritos não são ouvidos por eles e aos poucos minha voz enfraquece e morre: eu também já não acredito em ninguém. Estamos mesmo todos sozinhos? Penso que cada um vê somente a si mesmo em tudo. Refletimos em tudo um pouco de nós mesmos, para que, mesmo em um mundo tão hostil e confuso como esse, sejamos capaz de reconhecer alguma coisa do que somos. Ou pensamos que somos. Acho que. Não sei bem.
A noite está mais fria e o céu está mais escuro. A minha melancolia se dissolve nas nuvens - por um instante eu não sei dizer se estou viva, mas então eu me lembro que também preciso pagar a passagem do ônibus. Conto as moedas. O dinheiro é suficiente?
Já não me lembro do que eu era antes. Não sei que força me atirou no abismo de tanta solidão e fraqueza. Fecho os olhos com força. Busco em minha memória alguma coisa que seja eu - em vão. Também estou sozinha. Também não sei quem sou e não sei o que procuro.
Ainda me pergunto até quando serei mais um fantasma vagando entre outros mortos. Sei que chegará o dia em que minhas pernas não mais suportarão o peso das minhas máscaras velhas e sujas, que já não enganam a ninguém além de mim mesma. Espero que este dia não demore a vir - estou cansada de me esconder. O que eu espero? Também não sei. Quantas noites eu ainda poderei dormir tranqüilamente até que o teto caia em minha cabeça?
Sei apenas que ainda estou imóvel, esperando aquela estrela cadente que só eu não vi.
sábado, janeiro 19, 2008
É estranho quando a euforia acaba e a realidade desaba sobre nossas cabeças. Qual é o preço da solidão? Ela já não se lembrava mais. E também já não sabia o que a havia levado até ali. Todas as suas razões foram deixadas ao longo do caminho e agora ela chegava, enfim, em seu limite. Até quando agüentaria aquela situação? Estava pagando para ver.
Apesar de todos os momentos de alegria e paixão, ela agora se sentia mais só do que nunca e desejava ardentemente as noites de desespero e a agonia da solidão desmascarada, pois nada podia ser pior que as correntes da própria covardia. Sabia, sim, ela sabia, que jamais sairia dali com suas pernas - não suportaria vê-lo sofrer e conhecia-o bem demais àquela altura para prever sua reação. Não conseguia se imaginar dizendo as palavras que colocariam fim à sua amargura, embora quisesse, mais que tudo naqueles dias, ouvi-las da boca dele. Não podia falar de seus sentimentos, pois o respeito pelo companheiro a impediam de falar com outra pessoa. Desejava outro, desejava muitos, desejava a cama vazia e apenas o próprio corpo, que havia entregado a ele cega de amor. E principalmente desejava o fim de tudo, e tão grande era sua tristeza que desejava que o fim viesse por qualquer meio que fosse. Um abismo profundo a engolia por dentro quando via nos atos dele tudo que mas detestava nos homens. Percebia-se prisioneira e já não tinha mais de onde tirar forças para ir embora, refugiando-se em seus pensamentos e perdendo-se em meio à aflição de sua cruel sentença de infelicidade.
Por que sou assim?, pensou, antes de adormecer para evitar que sua lágrimas a sufocassem.
Apesar de todos os momentos de alegria e paixão, ela agora se sentia mais só do que nunca e desejava ardentemente as noites de desespero e a agonia da solidão desmascarada, pois nada podia ser pior que as correntes da própria covardia. Sabia, sim, ela sabia, que jamais sairia dali com suas pernas - não suportaria vê-lo sofrer e conhecia-o bem demais àquela altura para prever sua reação. Não conseguia se imaginar dizendo as palavras que colocariam fim à sua amargura, embora quisesse, mais que tudo naqueles dias, ouvi-las da boca dele. Não podia falar de seus sentimentos, pois o respeito pelo companheiro a impediam de falar com outra pessoa. Desejava outro, desejava muitos, desejava a cama vazia e apenas o próprio corpo, que havia entregado a ele cega de amor. E principalmente desejava o fim de tudo, e tão grande era sua tristeza que desejava que o fim viesse por qualquer meio que fosse. Um abismo profundo a engolia por dentro quando via nos atos dele tudo que mas detestava nos homens. Percebia-se prisioneira e já não tinha mais de onde tirar forças para ir embora, refugiando-se em seus pensamentos e perdendo-se em meio à aflição de sua cruel sentença de infelicidade.
Por que sou assim?, pensou, antes de adormecer para evitar que sua lágrimas a sufocassem.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
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