terça-feira, janeiro 22, 2008

Para a menina minha neblina

Menina...
Lembra daqueles dias cinzas de tanto tempo atrás? Não sei se você havia percebido, mas seus olhos continham toda a cor desse mundo. Você percebeu? Seu jeito criança era o dono da minha vida coração felicidade.

Lembra quando, juntas, nós realizamos um desejo antigo de brincadeira, e fizemos para um boneco um pára-quedas de sacola plástica de mercado? Lembra como ele flutuou por alguns segundos, sustentado no ar pelo ventilador ligado?

Menina... em me lembro. Você não sabe, mas eu me lembro tanto, sempre, do seu sorriso... Eu penso tanto em você... Ainda, sim. Mas já não sofro mais. Penso na beleza que você, sem notar, trouxe para a minha vida, e em tudo que penso que poderíamos ter sido, se não fosse meu coração covarde, se fosse o tempo certo, talvez... Pensar em você já não dói tanto quanto antes, a não ser, é claro, nas madrugadas tristes que às vezes passo comigo mesma - mas você sabe, querida, tanto quanto eu, que estas fraquezas românticas devem ser perdoadas.

Sinto sua falta, sinto falta de amar você, ainda que do nosso jeito tímido, clandestino até; sinto falta de dedicar meus dias a te esperar, e confesso que ainda procuro por seus olhos quando passo por algum lugar onde eu sei que você poderia estar... Você me deu alegria. Você me deu coragem. Você será sempre minha neblina...

Sim, sinto sua falta, e é triste te ver e não sentir mais meu coração querendo saltar pela boca, e não sentir medo, euforia e aquela angústia delicada e ansiosa que ardia em meu peito. Já não sinto mais, e isso é triste, sim. Mas você também sabe, minha pequena, que nós jogamos com nosso sentimento, e eu prefiro acreditar que não teria dado certo mesmo (acho que é um jeito de aceitar com mais leveza a nossa sorte). Não sei. Amar você foi provavelmente o que de mais intenso, desesperadamente intenso, dolorosamente intenso, já senti. Você me deu vida quando eu já não esperava mais nada.



A sombra do que sentimos será para sempre um abrigo dentro de mim, onde me refugio quando preciso de fé.