É estranho quando a euforia acaba e a realidade desaba sobre nossas cabeças. Qual é o preço da solidão? Ela já não se lembrava mais. E também já não sabia o que a havia levado até ali. Todas as suas razões foram deixadas ao longo do caminho e agora ela chegava, enfim, em seu limite. Até quando agüentaria aquela situação? Estava pagando para ver.
Apesar de todos os momentos de alegria e paixão, ela agora se sentia mais só do que nunca e desejava ardentemente as noites de desespero e a agonia da solidão desmascarada, pois nada podia ser pior que as correntes da própria covardia. Sabia, sim, ela sabia, que jamais sairia dali com suas pernas - não suportaria vê-lo sofrer e conhecia-o bem demais àquela altura para prever sua reação. Não conseguia se imaginar dizendo as palavras que colocariam fim à sua amargura, embora quisesse, mais que tudo naqueles dias, ouvi-las da boca dele. Não podia falar de seus sentimentos, pois o respeito pelo companheiro a impediam de falar com outra pessoa. Desejava outro, desejava muitos, desejava a cama vazia e apenas o próprio corpo, que havia entregado a ele cega de amor. E principalmente desejava o fim de tudo, e tão grande era sua tristeza que desejava que o fim viesse por qualquer meio que fosse. Um abismo profundo a engolia por dentro quando via nos atos dele tudo que mas detestava nos homens. Percebia-se prisioneira e já não tinha mais de onde tirar forças para ir embora, refugiando-se em seus pensamentos e perdendo-se em meio à aflição de sua cruel sentença de infelicidade.
Por que sou assim?, pensou, antes de adormecer para evitar que sua lágrimas a sufocassem.
Um comentário:
Esse sou eu?
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